Trinta Anos Esta Noite – Feu Follet

30-anos-essa-noite

Maurice Ronet e Léna Skerla (Le Feu Follet, Louis Malle, 1963)

este é o mergulho na densidade do mundo

na dualidade da morte

este é o filme ao qual, há tanto tempo, eu devia um poema

o filme no qual foram ditas as palavras mais terríveis:

“não consigo tocar”

“de tanto querer ser amado, achei que amava”

“coragem não é dormir sobre o túmulo, é entrar nele”

o filme do qual só consigo falar em um modo solene, escrevendo

com a voz embargada (só a emoção cria) para relatar

que, toda vez, a janela do apartamento abria-se para

um abismo

como é que pode? como isso é possível?

isto:

a vida resumida à opaca bala de 9 milímetros,

um espelho, umas fotos coladas, algumas

cartas, a maleta que é fechada, a

inspiração que se extingue – e cada noite

igual a todas as noites

nem vagar ao acaso serve para qualquer coisa,

pois os edifícios são surdos

assim é a vida condensada

dos fantasmas sublimes

CINEMA: seu verdadeiro nome é confissão

(Cláudio Willer)

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