A origem do mundo, de Gustave Courbet

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A origem do mundo (1866) Óleo sobre tela, 46 x 55 cm

A origem do mundo (L’Origine du monde), é uma obra do pintor realista Gustave Courbet (1819-1877) e sua influência pode ser atribuída aos fotógrafos pornográficos daquele período. A obra pertenceu primeiramente ao colecionador turco Khalil Bey e durante o período em que Courbet estava vivo, o quadro se manteve clandestino. Posteriormente a obra passou pelas mãos do psicanalista Jacques Lacan, antes de entrar no Museu d’Orsay, em Paris. Para Courbet, se uma coisa é verdadeira, mesmo sendo feia, ela merece ser retratada em sua pintura. Seu estilo contribuiu essencialmente para o surgimento do movimento impressionista e o desenvolvimento da pintura moderna.

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Gustave Courbet

Gustave Courbet conciliou seu estilo vanguardista de observação direta da Natureza sem a pretensão de idealizá-la com a militância política. Participou ativamente da Comuna de Paris em 1871 e pagou seu compromisso com os operários parisienses com exílio, processos, degradação física e econômica. Argan comenta em seu livro “Arte Moderna”, as características políticas do pintor Gustave Courbet: “Em política, Courbet foi um revolucionário, ou melhor, um rebelde: recusou a Legião de Honra, foi ardoroso partidário da Comuna (1871) e, como tal, aprisionado, obrigado a se refugiar na Suíça, despojado de todos os seus bens. Mas não transpôs sua paixão política para a arte, ao contrário do que, em 1830, fizera um artista menos ‘engajado’, Delacroix; sua pintura, porém, foi realizada com uma consciência certamente política. Um realismo ideologicamente orientado já não seria realismo, porque não refletiria a realidade como ela é, e sim como se gostaria ou não que ela fosse. O realismo de Courbet, todavia, responde à necessidade de tomar consciência da realidade em suas dilacerações e contradições, de se identificar com ela, vivê-la, isto é, de se formar aquela noção da situação objetiva sem a qual a ideologia não é ímpeto revolucionário, mas pura utopia”.

O artista gostava de dizer que “quando eu morrer, deve-se dizer de mim: não pertenceu a escola alguma, a nenhuma igreja, a nenhuma instituição, a nenhuma academia, sobretudo a nenhum regime, senão o da liberdade”.