Jazz e Nouvelle Vague

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Cartaz do filme de Louis Malle

Em 1957, Jean-Paul Rappeneau (assistente do então jovem cineasta Louis Malle, que tinha 25 anos) convida o trompetista americano Miles Davis para compor a trilha sonora do primeiro filme de Louis Malle, “Ascenseur pour l’echafaud” (Ascensor para o cadafalso). O elenco conta Jeanne Moreau, que mais tarde ganharia reconhecimento internacional por sua atuação nos filmes da chamada “nova onda”, sobretudo no papel de Catherine, em Jules et Jim (1962) de François Truffaut. A criação da trilha composta por Miles Davis não durou mais que dois dias, iniciando na noite de 4 dezembro e terminando na manhã do dia seguinte. Nessa época, o jazz começava a conquistar o público europeu. Mesmo antes, no romance A Náusea de Sartre, publicado em 1938, várias passagens fazem referência direta ao jazz. Antoine Roquetin, narrador e personagem principal do romance de Sartre, repente várias vezes a letra de Some of these days. Em seu História Social do Jazz, Eric Hobsbawn fala sobre as diferenças entre a influência do jazz nos EUA, sua terra natal e sua influência no contexto europeu. “Mas o mais significativo é que, desde o início da década de 1950 em Hollywood – e desde o final da década de 1950, na televisão americana e no cinema europeu – surgiu a moda de criar, para filmes sobre crime, sexo e gerações perdidas, trilhas de jazz sérias ou descomprometidas, a maioria de caráter moderno. Musicalmente, os franceses foram os mais bem-sucedidos nesse tipo de ligação, principalmente com trilhas feitas por Miles Davis e o Modern Jazz Quartet (…) pois o jazz, nos Estados Unidos, é uma linguagem comum e não apenas, como na França, um tipo de gíria das classes altas”. O disco “Ascenseur pour l’echafaud”, além de Miles Davis no trompete, conta com o também americano Kenny Clarkes na bateria e os músicos franceses Barney Wilen, sax tenor, René Urtreger, piano e Pierre Michelot, baixo.

Miles Davis – Ascenseur pour l’echafaud (Full Album) http://migre.me/sgxde