Humor em Zazie no Metrô

  1. Uma das primeiras características do romance de Raymond Queneau, Zazie no Metrô, é a junção de palavras para formar novas palavras, mais ou menos no estilo joyceano em Ulysses. Como Barthes analisa em um ensaio de 1959, (presente no posfácio da edição da Cosac Naify): “Fazer surgir no lugar da palavra pomposamente envelopada em sua roupagem ortográfica uma palavra nova, indiscreta, natural, isto é, bárbara”. A primeira frase do romance é um exemplo desse estilo que utiliza a junção de várias palavras para construir uma palavra nova, “bárbara”. De onde que vem tanto fedor? Dondekevemtantofedô? Pergunta-se Gabriel, o tio de Zazie que fica responsável por receber a sobrinha por alguns dias em Paris.
  2. Zazie é uma criança desbocada do interior. O conflito do romance gira em torno da frustração de Zazie, que pretende andar de metrô, mas se frustra ao saber que os trabalhadores estão em greve. “Caralho!” que ela exclama. Além do metrô, tem a coca cola e calça jeans. Outra característica dessa história é o estilo sarcástico, anárquico, o humor negro e em algumas passagens, uma mescla de erudição e humor. O personagem Pedro Surplus que além de policial é um tarado; o policial que é preso por outros policiais; o papagaio Laverdure, que sempre repete para o seu dono: “Falar, falar… você só sabe fazer isso”; etc.

    Edição de Zazie no Metrô (Cosac Naify)

    Edição de Zazie no Metrô (Cosac Naify)

  3. O conteúdo humorístico dos personagens (heróis, personagens secundários) as contradições e certa tendência mágica e irreal (a personagem “fáustica” de Zazie) não diminuem ou sobrepõe-se às passagens “filosóficas”, “espirituosas”. Esse divertido romance foi lançado em 1959 e garantiu notoriedade internacional a Raymond Queneau, conseguindo ultrapassar mais de um milhão de exemplares vendidos na França. No ano seguinte o cineasta Louis Malle fez uma adaptação do romance para o cinema.

Veja a matéria do programa entrelinhas sobre o romance: Entrelinhas – Zazie no Metrô

Cartaz do filme adaptado por Louis Malle em 1960.

Cartaz do filme adaptado por Louis Malle em 1960.